paixão pela música chinesa

"Estou começando gradualmente a sentir que os chineses precisam ser controlados", disse

Jackie Chan, o astro das artes marciais que é bastante conhecido por mostrar no final dos seus filmes os próprios erros cometidos nas suas acrobacias, poderá ficar famoso por mais uma mancada.

Ao dizer na semana passada a um grupo de autoridades governamentais chinesas de alto escalão que o povo chinês está mal preparado para lidar com a liberdade, Chan foi alvo de ataques verbais vindos de todo o universo de língua chinesa e que ainda estão ecoando.

“Estou começando gradualmente a sentir que os chineses precisam ser controlados”, disse Chan durante o Fórum Boao, a conferência econômica anual na qual o primeiro-ministro Wen Jiabao proferiu um discurso. “Se não somos controlados, fazemos simplesmente aquilo que bem entendemos”.

A resposta foi mais enérgica em Hong Kong e em Taiwan, que Chan, uma das celebridades mais conhecidas e ricas da Ásia, definiu como sendo particularmente “caótica”. Mas até mesmo alguns intelectuais na China continental manifestaram-se contra o fato de ele ter apresentado um estereótipo dos chineses, mencionando-os como um povo que anseia por uma liderança autoritária.

O “Apple Daily”, um dos maiores jornais de Hong Kong, chamou-o de “pilantra” na sua primeira página. Políticos em Taiwan, a ilha autônoma e democrática que a China reivindica como parte do seu território, o descreveram como “idiota” e “ignorante”. Albert Ho, um legislador de Hong Kong, chamou Chan de “racista”, acrescentando: “Povos em todo o mundo estão administrando os seus próprios países. Por que os chineses não poderiam fazer o mesmo?”.

Aqui na China continental, um escritor que teve um artigo publicado online no jornal do Partido Comunista, “O Diário Popular”, criticou Chan. “Acho que Jackie Chan nunca experimentou a falta de liberdade, e jamais foi vítima de um controle cruel”, disse o comentarista, Li Hongbing.

À medida que a confusão aumentava, as palavras materializavam-se em ações: o prefeito de Taipei, a capital de Taiwan, destituiu Chan do cargo de embaixador da Olimpíadas de Verão para Deficientes Auditivos de 2009. E o Comitê de Turismo de Hong Kong anunciou que reavaliará o papel do ator como o seu porta-voz mais importante. No Facebook, mais de 8.000 pessoas apoiaram uma proposta fictícia de mandar Chan para a super-controlada Coreia do Norte.

“Não assistirei mais aos filmes dele, a menos que Chan peça desculpas”, disse Shing Hiu-yi, vice-presidente do Diretório Acadêmico da Universidade de Hong Kong, um dos vários grupos que divulgou mensagens de condenação e pediu boicotes aos filmes de Chan. “O que ele disse foi um insulto ao povo chinês”.

Por outro lado, pouca gente reconheceu publicamente que a percepção de Chan, ainda que “tomada fora de contexto”, conforme insiste o seu porta-voz, é bastante aceita ou adotada por muitos chineses. O Partido Comunista há muito alega que o povo da China está despreparado para a democracia no estilo ocidental. Até mesmo muitos chineses de alto nível educacional insistem que a grande maioria dos seus compatriotas carece muito de escolaridade ou sofisticação para participar em assuntos referentes à política ou ao governo.

Costuma-se dizer na China: “Deem ao povo uma trela longa, e todos acabarão estrangulados”.

Russel Leigh Moses, um analista de políticas chinesas de Pequim, diz que no mundo de língua chinesa prevalece a ideia de que um excesso de liberdade só alimentaria a desarmonia e a instabilidade, que são vistas como as arqui-inimigas da iniciativa da China de colocar o desenvolvimento econômico em primeiro lugar.

“Jackie Chan disse tais coisas por acreditar que elas são verdadeiras, e uma grande parcela da sociedade concorda totalmente com ele”, afirma Moses. “Mas tais ideias estão cada vez mais fora de sintonia com um debate crescente sobre qual deveria ser a extensão da autoridade do Estado”.

As declarações de Chan provocaram uma certa onda de autocrítica, especialmente na Internet. Em uma subversão sutil, Yan Lieshan, um dos mais conhecidos escritores chineses, sugeriu que nenhum controle governamental seria capaz de ajudar uma nação que não tem boas maneiras nem ética. Escrevendo no “Southern Weekend”, um jornal de tendências liberais de Guangzhou, Yan criticou os vizinhos que jogam lixo na sua calçada e os carros que passam em alta velocidade pela sua rua estreita. “Eu adoraria que as autoridades competentes viessem e fizessem cumprir a lei, mas não há ninguém para controlar essas pessoas”, queixou-se o escritor. “Quando você faz uma reclamação por escrito, ninguém responde”.

Embora tenha sido criado em Hong Kong por pais que fugiram da China continental, Chan, 55, comporta-se como um genuíno patriota chinês. Ele cantou durante a cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Pequim, e criticou com irritação os manifestantes que procuraram interromper a passagem da tocha olímpica. Durante uma incursão anterior no terreno da política eleitoral, em 2004, ele chamou as eleições presidenciais em Taiwan de “a maior piada do mundo”.

Ainda que ele acredite que o povo chinês precisa ser mais controlado, muitos observadores sugerem que Chan estava simplesmente procurando atacar o governo autoritário que recentemente baniu o seu último filme, “O Incidente Shinjuku”, devido ao excesso de violência.

Hu Xingdou, professor de economia do Instituto de Tecnologia de Pequim, diz que ficou tão furioso com aquilo que descreveu como provocação por parte de Chan, que está organizando um boicote ao concerto que o astro agendou para 1º de maio no estádio Ninho do Pássaro, em Pequim.

“É fácil sacrificar a liberdade quando você conta com tratamento VIP ou é recebido por autoridades graduadas toda vez que vem à China”, diz Hu, que é conhecido pela suas críticas ácidas. “Estou convicto de que Jackie Chan jamais pensou no sofrimento das pessoas humildes que não têm poder”.

Fonte: UOL

Créditos: AiHaoYue.wordpress.com

Comentários em: "Declarações de Jackie Chan desagradam chineses" (5)

  1. Fran Lee disse:

    povo implica com tudo .

  2. Hagi disse:

    Nossa, que povo exagerado >.<

  3. Raquel disse:

    É por isso que o Jet Li não abre a boca! hsuhashuas *sim, nada a ver*

  4. Ronaldo disse:

    Eu concordo com raquel
    e fran lee

  5. Existe uma frase pra que explica essa reação toda: a verdade dói.

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